Seita formada por skinheads seria responsável por morte de menina em ritual satânico no cemitério de Ricardo de Albuquerque
Jornal Extra - 03/12/2008
RIO - O assassinato da estudante Rosane Nunes Lopes, de 16 anos, encontrada morta no Cemitério de Ricardo de Albuquerque domingo, com o corpo retalhado e indícios de ter sido sacrificada em um ritual, pode revelar a atuação de uma seita macabra formada por skinheads. As vítimas seriam mulheres violentadas entre as tumbas, cenários de orgias e bebedeiras do grupo.
Responsável pelas investigações, o delegado adjunto da 39ª DP (Pavuna), Túlio Antônio Pelosi, aponta dois suspeitos do crime: o namorado da adolescente, Ricardo Moreira, de 24 anos, que foi encontrado pela polícia em uma casa no Jardim Catarina, ontem, é um deles. Seu paradeiro foi revelado após uma denúncia anônima. Os policiais o levaram para prestar depoimento na delegacia. O outro é um rapaz, também skinhead e integrante da seita, que não teve a identidade revelada para não atrapalhar as investigações. Ele foi apontado como responsável por violentar e espancar outra menina, encontrada nua, e ainda com vida, no mesmo local do cemitério onde o corpo de Rosane foi achado.
- Esse outro caso aconteceu este ano. É muito semelhante e, por isso, nos leva ao mesmo grupo. Ricardo e esse outro skinhead são suspeitos. A coragem de pessoas que estão fazendo as denúncias está ajudando muito nas investigações - disse o delegado.
Levado pela polícia para a delegacia, Ricardo não quis dar nenhuma declaração. Em depoimento, negou ser responsável pelo crime e foi liberado.
Muito emocionados após o sepultamento do corpo de Rosane, no Cemitério de Olinda, em Nilópolis, na tarde de ontem, amigos revelaram que o grupo de skinheads chama-se Carecas da Baixada. Revoltado, José Renato de Oliveira Nunes, tio da adolescente, conta que ficou chocado com o que viu na casa de Ricardo, domingo, quando foi procurar notícias da sobrinha:
- Ricardo me mostrou fotos dele com meninas no cemitério bebendo vinho, cachaça, fazendo sexo e urinando nas tumbas. Ele me disse: “É a minha religião, cada um tem a sua”.
Cunhada denuncia agressão à irmã
Uma denúncia anônima levou os policiais a uma casa no Jardim Catarina, onde Ricardo estava hospedado ao lado de uma outra “ficante”, uma jovem de 18 anos moradora da Gávea.
Policiais ainda localizaram uma terceira companheira de Ricardo, uma garota também de 18 anos, considerada “a mulher oficial”. A irmã dela ligou para a delegacia ao reconhecer a tatuagem do cunhado no jornal. Ela contou que Ricardo agredia sua irmã, deixando-a com manchas roxas na pele. Na 39ª DP (Pavuna), a mulher do skinhead confirmou à polícia que ele era violento.
Acompanhada pelo pai
A jovem voltou para casa acompanhada pelo pai. Na delegacia, Ricardo se manteve o tempo todo calado e arredio. O comportamento do rapaz tinha gerado preocupação entre os amigos de Rosane. Eles contaram no sepultamento que Zaninha tinha se afastado da tribo emo desde que começou a se relacionar com o skinhead. Os jovens, que se reuniam na Praça Santos Dumont, em Nova Iguaçu, às sextas-feiras, raramente a viam nos encontros desde o início do caso.
Ex-namorado diz que foi ameaçado
Choro, arrependimento e conversão. O sepultamento do corpo de Rosane reuniu familiares inconformados com a brutalidade do crime e cerca de 40 amigos, integrantes da tribo dos emo.
Entre eles, o ajudante de cozinha Natanael de Figueiredo Falcão, de 23 anos, ex-namorado da estudante, que chorava compulsivamente. Apaixonado por Zaninha, apelido de Rosane, ele conta que se sente culpado.
- Fui o primeiro namorado dela. Eu me sinto um pouco culpado porque encontrei com ela há umas três semanas e a abracei. O Ricardo viu, me ameaçou pelo Orkut dizendo que ia me espancar, me quebrar todo se eu não saísse de perto dela. Ela ia terminar com ele para ficar comigo - dizia.
Emo arrependido
A angústia pela perda da amiga motivou a conversão do estudante Marcos Ramos, de 16 anos. Durante o cortejo, quando a pastora perguntou quem queria “aceitar Jesus”, ele se apresentou e foi convertido:
- Não cuidei direito dela, tinha prometido que não aconteceria nada de mal. Agora, pertenço a Jesus.
* Fonte:
http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/materias/2008/12/03/(…).asp
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